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Informação já disponivel para junho aponta para uma redução intensa da atividade económica embora menor que a observada nos dois meses anteriores
Síntese Económica de Conjuntura
Informação já disponivel para junho aponta para uma redução intensa da atividade económica embora menor que a observada nos dois meses anteriores - Junho de 2020
17 de julho de 2020

Resumo

Em junho, os indicadores de confiança dos consumidores e de sentimento económico na Área Euro (AE) recuperaram de forma mais intensa do que no mês precedente mantendo-se contudo em níveis historicamente baixos. Os preços das matérias-primas e do petróleo apresentaram variações em cadeia de 3,4% e 32,8%, respetivamente (4,1% e 59,3% em maio).
Em Portugal, não considerando médias móveis de três meses (ver secção seguinte), a informação disponível continua a revelar uma contração intensa da atividade económica em junho, embora menor quando comparada com o mês anterior. Os indicadores de confiança dos Consumidores e de clima económico prolongaram em junho a recuperação, já verificada no mês anterior, das fortes reduções observadas em abril. Os indicadores de confiança aumentaram em todos os sectores de atividade, de forma mais expressiva na Indústria Transformadora e nos Serviços, recuperando também no Comércio e na Construção e Obras Públicas. No conjunto do 2º trimestre, estes quatro indicadores de natureza qualitativa referentes aos setores de atividade registaram saldos de respostas extremas muito negativos, a saber, pela mesma ordem: -31,7 (-6,1 no 1º trimestre), -52,9 (+2,7), -26,3 (+0,2) e -29,1 (-6,4).
O montante global de levantamentos nacionais, de pagamentos de serviços e de compras em terminais de pagamento automático na rede multibanco diminuiu 14,4% em junho, em termos homólogos, após ter diminuído 26,6% em maio. No 2º trimestre este montante diminuiu 26,3% (-0,5% no 1º trimestre). Em junho, as vendas de veículos automóveis registaram taxas de variação homóloga de -56,3% nos automóveis ligeiros de passageiros (-74,8% em maio). No 2º trimestre estas vendas diminuíram 71,8% (-23,8% no 1º trimestre). Também em junho registaram-se variações de -36,0% nas vendas de comerciais ligeiros e de -67,0% nos veículos pesados (-51,3% e -68,5% em maio, respetivamente). No 2º trimestre, pela mesma ordem, as vendas destes veículos registaram variações homólogas de -51,6% (-24,0% no 1º trimestre) e -68,8% (-29,6%).
De acordo com o Inquérito Rápido e Excecional às Empresas (COVID-IREE), promovido pelo INE e Banco de Portugal, os resultados apontam para uma ténue melhoria da situação das empresas na segunda quinzena de junho face à quinzena anterior. Comparando com a situação que seria expectável sem pandemia, 66% das empresas assinalaram um impacto negativo no volume de negócios (compara com 68% na quinzena anterior). Essa percentagem aumenta para 87% no Alojamento e restauração e 80% nos Transportes e armazenagem.
De acordo com as estimativas provisórias mensais do Inquérito ao Emprego, a redução do emprego ter-se-á acentuado em maio, estimando-se que a população empregada (15 a 74 anos), ajustada de sazonalidade, tenha diminuído 2,2% face ao mês anterior e 4,0% em termos homólogos (variação homóloga de -1,8% em abril). A taxa de desemprego (15 a 74 anos), também ajustada de sazonalidade, situou-se em 5,5% em maio, menos 0,8 p.p. que o valor definitivo registado em abril (6,4% em fevereiro e 6,6% em maio de 2019). A estimativa provisória da taxa de subutilização de trabalho foi 14,2%, em maio, superior em 0,8 p.p. ao valor verificado no mês anterior (13,0% em maio de 2019).
A variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) situou-se em 0,1% em junho (-0,7% em maio), observando-se uma taxa de variação de -0,9% na componente de bens (-2,1% no mês anterior) e de 1,6% na componente de serviços (mais 0,4 p.p. que nos dois meses precedentes).

Apesar das circunstâncias determinadas pela pandemia COVID-19, o INE irá procurar manter o calendário de produção e divulgação, embora seja natural alguma perturbação associada ao impacto da pandemia na obtenção de informação primária. Por esse motivo apelamos à melhor colaboração das empresas, das famílias e das entidades públicas na resposta às solicitações do INE, utilizando a Internet e o telefone como canais alternativos aos contatos presenciais. A qualidade das estatísticas oficiais, particularmente a sua capacidade para identificar os impactos da pandemia, depende crucialmente dessa colaboração que o INE agradece.

 


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