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Censos em Portugal

A forma mais antiga e mais direta de conhecer o número de pessoas que, em dado momento, habitavam um determinado território, consistia em realizar uma contagem, através da inquirição exaustiva (habitualmente denominada recenseamento ou censo) dos indivíduos.

No território que hoje se conhece como Portugal, o primeiro vestígio de realização de contagens que se aproximam de um registo censitário teve lugar no ano 0, por ordem do Imperador César Augusto.

Na Idade Média, durante o período de ocupação dos Árabes na Península Ibérica, foram também realizadas várias contagens.

São conhecidos vários “numeramentos”, “contagens” e “recenseamentos”, efetuados entre o século XIII e o século XVIII. O primeiro, de que se tem conhecimento, remonta a 1260: Rol de Besteiros do Conto de D. Afonso III.

No século XIX, em 1864, realizou-se, em Portugal, o “Recenseamento Geral da População”, o primeiro a reger-se pelas orientações internacionais, marcando o início dos recenseamentos da época moderna, no nosso País.

O INE é o responsável pela realização dos Censos desde que foi criado, em 1935.

Na maioria dos países, e de acordo com as normas internacionais, os Censos realizam-se de 10 em 10 anos, nos anos terminados em 0 ou 1.

Em cada operação censitária, o INE introduz melhorias que têm permitido ganhos de eficiência na realização destas operações. Em 2001, a leitura ótica dos questionários e o tratamento automático de caracteres e expressões possibilitaram avanços significativos no tratamento da informação recolhida. Em 2011 foram, pela primeira vez, georreferenciados os edifícios e foi possível responder, com grande sucesso, através da Internet. A colaboração da população contribuiu, então, para que Portugal seja um dos países que obtiveram maior taxa de resposta aos Censos pela Internet (50%).

Em 2021, irá ter lugar o XVI Recenseamento da População e o VI Recenseamento da Habitação.

Os próximos Censos serão fortemente marcados pela inovação. O INE vai introduzir alterações significativas no modelo censitário. Pretende-se um Censo mais digital, mais cómodo para a população e mais eficaz na gestão dos recursos públicos.



História dos Censos em Portugal

O primeiro censo da população conhecido no território que é hoje Portugal foi realizado no ano zero, por ordem do Imperador César Augusto e dizia respeito à então província romana da Lusitânia. Posteriormente, na Idade Média também os Árabes efetuaram vários recenseamentos durante a sua permanência na Península Ibérica.

Já após a fundação da nacionalidade foram realizadas várias contagens mais ou menos extensas tendo preocupações sobretudo de ordem militar. Estes "numeramentos", "contagens" e até mesmo "recenseamentos" por não serem exaustivos e/ou não se apoiarem em princípios estatísticos científicos credíveis, não podem ser considerados equivalentes à série de recenseamentos iniciada em 1864.


As operações realizadas foram as seguintes:

  • Rol de Besteiros do Conto, de D. Afonso III (1260-1279);
  • Rol de Besteiros do Conto, de D. João I (1421-1422);
  • Numeramento ou Cadastro Geral do Reino, de D. João III (1527);
  • Resenha de Gente de Guerra, de D. Filipe III (1639);
  • Lista dos Fogos e Almas que há nas Terras de Portugal, de D. João V (1732), também conhecida por Censo do Marquês de Abrantes;
  • Numeramento de Pina Manique, de D. Maria I (1798);
  • Recenseamento Geral do Reino, de D. João VI, também conhecido por Censo do Conde de Linhares (1801).

O I Recenseamento Geral da população portuguesa, a reger-se pelas orientações internacionais do Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853, realizou-se em 1864, marcando o início dos recenseamentos da época moderna.

Embora estas orientações já indicassem que os recenseamentos deveriam ser realizados de 10 em 10 anos, o censo seguinte apenas se realizou em 1878, seguindo-se o de 1890. A partir de então, os recenseamentos da população têm vindo a realizar-se, com algumas exceções, em intervalos regulares de 10 anos.

Em 1910, a turbulência vivida com a implantação da República motivou a não realização do censo, vindo a ter lugar apenas em 1911.

Após a criação do INE em 1935, os recenseamentos passaram a ser realizados por este Instituto, o primeiro dos quais em 1940.

Outro marco importante na história dos censos ocorreu em 1970, quando em simultâneo com o Recenseamento da População se realizou o I Recenseamento da Habitação.

Com o objetivo de harmonizar o calendário censitário da União Europeia (UE), o recenseamento de 1980 foi transferido para 1981. Desde então, os Censos têm lugar em Portugal nos anos terminados em 1. O último teve lugar em 2011.

Censos em Portugal de 1864 a 2011 (pdf)