Revista Eletrónica do INE - julho de 2026

1 INEWS N.º 66 A revista do INE INEWS A revista do INE INQUÉRITO NACIONAL DE SAÚDE ESTIMATIVAS DE POPULAÇÃO PROCURA TURÍSTICA DOS RESIDENTES N.º 66.JULHO.2026

2 INEWS N.º 66 A revista do INE Comunicações Produtos em Destaque Inovação INE Internacional Satisfação dos Utilizadores No Mundo da Estatística Em Foco Sistema de Gestão Integrado INE – Um passo mais no bom caminho Competição Europeia de Estatística 2025-2026 Competição Internacional de Pósteres Estatísticos 2026- 2027

3 INEWS N.º 66 A revista do INE NESTA EDIÇÃO Abertura 5 Produtos em Destaque 7 Estimativas de População Residente 2025 8 Inquérito Nacional de Saúde 2025 12 Procura Turística dos Residentes 2025 16 Conciliação da vida profissional com a vida familiar – Módulo regular do Inquérito ao Emprego 2025 20 Índice Sintético de Desenvolvimento Regional – Aplicação Interativa 24 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável | Agenda 2030 – Indicadores para Portugal 2015-2025 26 Roteiro Nacional para o Desenvolvimento Sustentável 2030 32 ICOR 2025 – Habitação, Energia e Ambiente 34 Inovação 41 Encontros de Inovação 42 METRICS – Methodologies, Statistics and Economics Working Paper Series 45 Sistema de Gestão Integrado 46 INE – Um passo mais no bom caminho 50 Competição Europeia de Estatística 2025-2026: o INE foi às escolas 54 Competição Internacional de Pósteres Estatísticos 2026-2027 58 INE Internacional 61 Projeto GSGF–CARE 62 ISI – 5.ª Conferência Regional de Estatística 65 Q2026 – Conferência Europeia sobre Qualidade nas Estatísticas Oficiais 68 Cooperação Internacional 72 Satisfação dos Utilizadores 78 No Mundo da Estatística 83 Data Makers Fest 2026 84 JOCLAD 2026 – XXXIII Jornadas de Classificação e Análise de Dados 88 ICOTS 2026 – Conferência Internacional sobre o Ensino da Estatística 90 IDWSDS 2026 – Encontro Internacional das Mulheres na Estatística e Ciência de Dados 91 Comunicações 92 Em Foco 95 Calendários 96 Inquéritos em curso 99 Publicações 102

4 INEWS N.º 66 A revista do INE INEWS - A Revista do INE Publicada pelo Instituto Nacional de Estatística Edição trimestral ISSN: 2182-469X Conselho Diretivo António Pinto de Oliveira Gomes Rua - Presidente Maria João Gaspar Tavares Zilhão - Vogal Jorge Ramos Afonso de Magalhães - Vogal Editor Pinto Martins Colaboradores permanentes Carlos Marcelo Filomena Simão Magda Ribeiro Margarida Rosa Patricia Correia Paula Nogueira Rosa Cameira Tiago Pimentel Design e Paginação Cristina Drago Isabel Guedes Apoio Técnico Bruno Guerreiro Domingos Rosário Marco Moura Contactos newsletter@ine.pt Instituto Nacional de Estatística Av. António José de Almeida 1000-043 Lisboa – Portugal +351 21 842 61 10 (chamada para rede fixa nacional) Serviço de Difusão e Comunicação Apoio a Utilizadores +351 218 440 695 (chamada para rede fixa nacional) info@ine.pt Fotografias: Luís Vieira Antero Pires www.freepik.com www.unsplash.com Participaram nesta edição Ana Santos Carlos Carvalho Carolina Santos Cátia Nunes Conceição Veiga David Leite Eduarda Góis Edviges Coelho Filipa Lidónio Francisco Sardinha Joana Malta Liussakara Daio Luísa Pereira Maria Aurindo Maria Jordão Maria José Fernandes Marta Sargaço Paula Cruz Paula Paulino Pedro Campos Rita Santos Rossano Figueiredo Rui Correia Sofia Rodrigues Sonia Quaresma Sónia Torres Susana Clemente Tiago Santos Vitor Cunha ine.pt @INE., Portugal, 2026 Informação estatística disponibilizada pelo INE pode ser usada com a Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) da Creative Commons Atribution 4.0, devendo contudo ser claramente identificada a fonte da informação.

5 INEWS N.º 66 A revista do INE O INE divulga mais uma edição na INEWS na qual se faz referência a várias divulgações de estatísticas oficiais, nas áreas da população, saúde, turismo, território e objetivos de desenvolvimento sustentável, entre outros de especial importância. Salientam-se os progressos nas áreas da inovação e na partilha de novos projetos, assim como do lançamento da METRICS – Methodologies, Statistics and Economics, Working Paper Series dedicada à investigação e inovação. O Sistema de Gestão Integrado (SGI) do INE continua a demonstrar a sua robustez, com a renovação das certificações (ISO 9001) e alargamento de âmbito no caso da ISO 27001. No contexto das atividades de literacia estatística, destaca-se a visita aos estabelecimentos escolares de norte a sul do país, que se distinguiram na competição europeia de estatística 2025-2026, com a entrega presencial dos respetivos prémios, reforçando a proximidade e reconhecimento das escolas nesta iniciativa. Convidamos ainda a uma leitura atenta às atividades dos colaboradores do INE no contexto internacional, destacando-se neste âmbito a participação do INE na Conferência Europeia da Qualidade em Estatísticas Oficiais – Q2026, que se realizou na Croácia, Šibenik, de 3 a 5 de junho, em co-organização entre o Eurostat e o INE Croata. Relevante também as atividades de cooperação para o desenvolvimento no domínio estatístico com vários países, destacando-se os pertencentes à CPLP. Estas e outras notícias estão presentes nesta INEWS, que com muito gosto partilhamos com os nossos respondentes, entidades parceiras e utilizadores das estatísticas oficiais no geral. Os nossos agradecimentos a todos/as pela contínua colaboração com o INE. O Conselho Diretivo do INE.

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produtos em destaqueseparador Produtos em destaque INEWS N.º 66 A revista do INE 7

As Estimativas de População Residente de 2025, as primeiras de base totalmente administrativa, foram acompanhadas de uma revisão da série 2021-2024, calculadas através da mesma metodologia. A população residente em Portugal atinge 11,4 milhões em 2025 8 INEWS N.º 66 A revista do INE

9 INEWS N.º 66 A revista do INE Em 31 de dezembro de 2025, a população residente em Portugal foi estimada em 11 424 031 pessoas (5 587 729 homens e 5 836 302 mulheres), o que corresponde a um aumento de 36 809 pessoas relativamente a 2024 (+0,32%). Esta conclusão resulta das Estimativas de População Residente de 2025, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que refletem uma mudança estrutural nas fontes de dados utilizadas e nos métodos de cálculo: o processo baseou-se exclusivamente na utilização e integração de dados de fontes administrativas e na aplicação de métodos de indícios de residência. Entre 2021 e 2025, a população residente aumentou 824 914 pessoas, destacando-se os anos de 2022, 2023 e 2024, nos quais se verificaram fluxos migratórios excecionalmente elevados, traduzindo-se em acréscimos populacionais, respetivamente, de 330 587, 274 643 e 182 875 pessoas. O envelhecimento demográfico em Portugal continuou a acentuar-se, ainda que atenuado pelo reforço relativo da população em idade ativa. Em 2025, o índice de envelhecimento atingiu o valor de 188,8 idosos por cada 100 jovens (178,3 em 2021). A idade mediana da população residente em Portugal era de 45,8 anos (46,1 anos em 2021). A população residente de nacionalidade estrangeira, em 31 de dezembro de 2025, foi estimada em 1 597 539 pessoas, representando 14,0% do total da população residente. Entre 2021 e 2025, os residentes estrangeiros mais do que duplicaram, correspondendo a um aumento de 849 384 pessoas. A adoção de uma metodologia de base administrativa implicou um esforço considerável do INE. Trata-se de um processo complexo e moroso, com recurso a múltiplas fontes de dados administrativos, envolvendo muitos milhões de registos individuais. Esta metodologia permite uma melhoria em termos do volume de informação utilizado, e que torna possível ter, doravante, estimativas mais atempadas, robustas e detalhadas. Este trabalho tornou-se possível graças à crescente disponibilidade e qualidade de dados de fontes administrativas atualmente acessíveis ao INE, no âmbito da sua Infraestrutura Nacional de Dados (IND), em particular da construção da Base de População Residente (BPR), que constitui uma infraestrutura para um modelo censitário da população suportado em informação administrativa.

10 INEWS N.º 66 A revista do INE O INE vai proceder à revisão dos resultados mencionados nos seguintes calendários: • Estimativas do Inquérito ao Emprego (mensais, trimestrais, anuais, módulos regulares e ad hoc), de 2021 a 2026 – fevereiro de 2027, por ocasião da divulgação dos resultados do 4.º trimestre de 2026 e do ano de 2026. • Contas Nacionais (trimestrais e anuais), de 2021 a 2026 – março de 2027, por ocasião da divulgação de dados das Contas Nacionais por Setor Institucional do 4.º trimestre de 2026 e do ano 2026. • Indicadores disponibilizados no Portal das Estatísticas oficiais (anos de 2021 a 2024) – até ao final do ano, nas seguintes áreas temáticas: Demografia; Cultura e Desporto; Proteção Social; Mercado de Trabalho (exceto Inquérito ao Emprego); Saúde (Hospitais e Acidentes de trabalho; Causas de morte); Educação (Ensino não superior; Ensino Superior); Justiça; e Estatísticas económicas (Ambiente, Agricultura, Turismo, Empresas, entre outros). Mais informação: Nota técnica Calendário de revisões A revisão das Estimativas Anuais de População Residente para os anos de 2021 a 2024 tem impacto em diversas operações estatísticas do INE, nomeadamente na calibração (extrapolação) dos resultados de inquéritos por amostragem, com destaque para o Inquérito ao Emprego. Assim, em função das revisões ocorridas sobre a população empregada do Inquérito ao Emprego, os resultados das Contas Nacionais terão de ser reavaliados. Nas Contas Nacionais, a avaliação da atividade económica assenta primordialmente em fontes de informação que não sofreram alterações (nomeadamente a Informação Empresarial Simplificada), mas existe uma parcela da atividade económica, não observada nas fontes tradicionais, que é estimada tendo em consideração a população empregada do Inquérito ao Emprego. Por outro lado, a revisão da população implica a atualização dos vários indicadores “por habitante”, que utilizam a população residente no denominador, disponibilizados pelo INE no Portal das Estatísticas oficiais.

OS PRINCIPAIS OBJETIVOS DA ADOÇÃO DE UMA METODOLOGIA DE BASE ADMINISTRATIVA SÃO: • MELHORAR OS MÉTODOS DE CAPTAÇÃO DOS MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS, EM ESPECIAL NUM CONTEXTO DE RÁPIDO CRESCIMENTO DA IMIGRAÇÃO. • AUMENTAR A CONSISTÊNCIA E A COERÊNCIA ENTRE AS DIVERSAS FONTES, REFLETINDO-AS NAS ESTIMATIVAS OFICIAIS DA POPULAÇÃO RESIDENTE. • PRODUZIR ESTIMATIVAS ANUAIS DE POPULAÇÃO RESIDENTE COM MAIOR DETALHE, ANTECIPANDO TAMBÉM A RESPOSTA ÀS NOVAS EXIGÊNCIAS DEFINIDAS PARA AS ESTATÍSTICAS EUROPEIAS, NOMEADAMENTE AS DECORRENTES DO NOVO REGULAMENTO RELATIVO ÀS ESTATÍSTICAS EUROPEIAS SOBRE A POPULAÇÃO E A HABITAÇÃO (REGULAMENTO (UE) 2025/2458 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO, DE 26 DE NOVEMBRO DE 2025). 11 INEWS N.º 66 A revista do INE

Foram divulgados os principais resultados do Inquérito Nacional de Saúde 2025. Excesso de peso ou obesidade atinge mais de metade da população adulta INEWS N.º 66 A revista do INE 12

13 INEWS N.º 66 A revista do INE O Inquérito Nacional de Saúde (INS) 2025 revelou que, mais de metade da população com 18 ou mais anos (57,1%) tinha excesso de peso ou obesidade, isto é, tinha um índice de massa corporal (IMC) de 25 ou mais kg/m2. A obesidade (30 ou mais kg/m2) e a pré-obesidade (25 a 29 kg/m2) atingiam 1,7 milhões e 3,8 milhões de pessoas com 18 ou mais anos. O inquérito permitiu, ainda, conhecer as principais doenças crónicas: • 3,2 milhões de residentes com 15 ou mais anos (31,7%) sofriam com dores lombares; • 2,5 milhões (25,6%) referiram ter hipertensão arterial; • 2,4 milhões (23,8%) tinham colesterol elevado; • 2,2 milhões (21,6%) tinham dores cervicais ou outros problemas crónicos no pescoço; • 2,0 milhões (20,2%) referiram sofrer com alergias; • 1,9 milhões (19,0%) referiram ter artrose (osteoartrite). O INS 2025 revelou, também, que a percentagem de consumidores diários de legumes e saladas era de apenas 40,6% e a de praticantes de exercício físico semanal de apenas 43,4%, enquanto 55,9% referiram consumir álcool regularmente (15,3% diariamente e 40,6% regularmente, mas não todos os dias). Proporção da população com 18 e mais anos por classes de índice de massa corporal, sexo e grupo etário, Portugal, 2025

14 INEWS N.º 66 A revista do INE Por grupo etário, as proporções de dores lombares e de dores cervicais são as que registam um acréscimo, entre grupos etários, mais significativo mais cedo, a partir grupo etário dos 45 aos 54 anos, em comparação com as artroses, a hipertensão arterial e o colesterol elevado, em que a taxa de doentes crónicos aumenta de forma mais acentuada no grupo etário dos 55 aos 64 anos. A proporção de pessoas afetadas por alergias é relativamente estável ao longo dos vários grupos etários, registando-se apenas um ligeiro decréscimo a partir dos 55-64 anos. Para além das alergias, as dores lombares são a doença crónica em que mais jovens (25 aos 34 anos) referem existir transtorno físico. 1,4 milhões de residentes com 15 ou mais anos (14,6%) eram fumadores, dos quais 1,2 milhões faziam-no diariamente (12,7% do total da população com 15 ou mais anos). 8,4 milhões de pessoas com 15 ou mais anos (84,6%) eram não fumadoras, das quais 6,2 milhões nunca tinham fumado (61,9%) e 2,3 milhões eram ex-fumadores (22,7%). Proporção da população com 15 e mais anos por principais doenças crónicas e grupo etário, Portugal, 2025

O INS 2025 foi realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, com base numa amostra representativa de 22 000 alojamentos de todo o território nacional, selecionados de forma aleatória; em cada alojamento foi selecionado um único indivíduo pelo método do último aniversário. As respostas foram recolhidas entre setembro e dezembro de 2025 através de entrevistas presenciais, entrevistas telefónicas e via web. Foram obtidas 15 092 respostas válidas, o que corresponde a uma taxa de resposta global para o território nacional de 68,6%. O OBJETIVO PRINCIPAL DO INQUÉRITO NACIONAL DE SAÚDE É O DE CARACTERIZAR A POPULAÇÃO RESIDENTE COM 15 OU MAIS ANOS EM TRÊS GRANDES DOMÍNIOS: • ESTADO DE SAÚDE; • CUIDADOS DE SAÚDE; • DETERMINANTES DE SAÚDE RELACIONADAS COM ESTILOS DE VIDA. Tal como em 2014 e em 2019, o INS 2025 foi harmonizado e regulamentado ao nível europeu, permitindo a comparação internacional dos resultados. Foram, ainda, incluídas questões de cariz nacional, preparadas em articulação técnica com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que visam assegurar a recolha de dados sobre temáticas relevantes para a caracterização do estado de saúde da população portuguesa (nomeadamente a saúde oral, saúde reprodutiva, consumo de alimentos, medicamentos, satisfação com a vida, incapacidade de longa duração e literacia para a saúde) e a comparabilidade com os dados recolhidos no âmbito dos INS anteriores. 15 INEWS N.º 66 A revista do INE

Viagens dos residentes atingiram máximo histórico em 2025 16 INEWS N.º 66 A revista do INE Cerca de 5,4 milhões de residentes em Portugal realizaram pelo menos uma deslocação turística no ano passado. Número de viagens cresceu 13,7% e atingiu um máximo histórico de 26 milhões, superando, pela primeira vez, os valores pré-pandemia.

O que motiva as viagens turísticas dos residentes? O “lazer, recreio ou férias” continuou a motivar a maior parte das deslocações dos residentes no último ano (50,2%), seguindo-se a “visita a familiares ou amigos” (37,5%) e as razões “profissionais ou de negócios”(7,0%). Desde 2016, as viagens para “lazer” recreio ou férias, foram as que registaram um maior crescimento: +4,5% por ano, em média. Nas viagens para “visita a familiares ou amigos” e por “motivos profissionais ou de negócios”, o crescimento médio anual, no período de 2016 a 2025, foi mais modesto (+1,0% e +1,2%, respetivamente). Para onde viajam? Os residentes realizaram 22,2 milhões de viagens turísticas em território nacional em 2025, representado 85,2% do total (85,0% em 2024) e um aumento de 14,0% face ao ano anterior. No último ano, estas viagens tiveram um crescimento mais acentuado do que aquelas que os residentes realizaram com destino ao estrangeiro (+12,5%), o que não acontecia desde 2016. Com exceção de 2016 e 2025 e dos anos do período mais afetado pela pandemia de COVID-19 (2020 – 2022), a evolução das viagens com destino ao estrangeiro registou sempre crescimentos muito superiores. Esta evolução traduz-se num crescimento médio anual de 7,9% das viagens para o estrangeiro no período de 2016 a 2025, enquanto as deslocações dos residentes em território nacional aumentaram apenas 2,2%, em média, por ano. INEWS N.º 66 A revista do INE 17

18 INEWS N.º 66 A revista do INE Viagens dos residentes em Portugal, por destino, 2016 - 2025 Número de viagens e taxas (%) de variação anual (TVA)1 1 Por conveniência da ilustração gráfica, foram excluídos os valores das taxas de variação anual relativos aos anos mais impactados pela pandemia de COVID-19, período em que as taxas registaram valores de grande magnitude e volatilidade significativa. 43,8% 45,2% 46,5% 49,4% 54,1% 52,5% 50,3% 50,1% 50,9% 50,2% 44,1% 44,0% 41,4% 37,8% 33,8% 36,8% 37,9% 38,2% 37,7% 37,5% 8,2% 7,1% 8,3% 8,2% 7,1% 5,6% 7,2% 7,2% 6,5% 7,0% 3,9% 3,7% 3,8% 4,5% 5,0% 5,1% 4,6% 4,5% 4,9% 5,2% 20,2M€ 21,2M€ 22,1M€ 24,5M€ 14,4M€ 17,5M€ 22,6M€ 23,7M€ 22,9M€ 26,0M€ 0 5 10 15 20 25 30 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 Milhões Lazer, recreio e férias Visita a familiares e amigos Profissionais e negócios Outros motivos Total -10% -5% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 0 5 10 15 20 25 30 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 Milhões Portugal Estrangeiro TVA Portugal TVA Estrangeiro TVA Total Viagens dos residentes em Portugal, por motivo da viagem, 2016 – 2025

19 INEWS N.º 66 A revista do INE 0 50 100 150 200 250 300 350 400 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 € Total Lazer, recreio e férias Visita a familiares e amigos Profissionais e negócios Quanto gastam por viagem turística? Em 2025, a despesa média por viagem turística realizada pelos residentes em Portugal foi 265,1 euros, atingindo o valor mais alto nas que se realizaram por motivos de "lazer, recreio ou férias” (371,9 euros). A despesa média por viagem decresceu no último ano (-4,2%), tendo o maior decréscimo sido registado nas deslocações por motivos “profissionais ou de negócios” (-13,6%). Apesar destas diminuições no último ano, a despesa média aumentou cerca de 7,6% por ano, em média, desde 2016 (+7,7% nas viagens por “lazer, recreio ou férias”). Despesa média por viagem, segundo o motivo, 2016 - 2025 Consulte mais informações na área de Estatísticas do Turismo no portal do INE

Foram divulgados os principais resultados do módulo “Conciliação da vida profissional com a vida familiar”, realizado em conjunto com o Inquérito ao Emprego, ao longo do ano de 2025. Uma em cada quatro mulheres alteraram a vida profissional para a conciliar com a vida familiar 20 INEWS N.º 66 A revista do INE

cuidados eram assegurados pelo próprio ou pelo cônjuge (47,6%). • 7,1% das pessoas cuidavam de familiares dependentes com 15 e mais anos, despendendo 30 e mais horas semanais na prestação desse cuidado (28,0%). • 24,2% das mulheres empregadas com responsabilidades de prestação de cuidados a familiares indicaram ter alterado a sua atividade profissional para melhor a conciliar com a vida familiar. O Instituto Nacional de Estatística apresentou os principais resultados do módulo de 2025 do Inquérito ao Emprego, sobre “Conciliação da vida profissional com a vida familiar”, que revelaram que: • 28,9% das pessoas dos 18 aos 74 anos tinham responsabilidades de prestação de cuidados a filhos ou netos menores de 15 anos. • 57,3% das pessoas que cuidam regularmente de filhos menores de 15 anos não recorriam a serviços de acolhimento para todas as suas crianças, principalmente porque os Efeitos da prestação de cuidados na vida profissional, por sexo (%) 21 INEWS N.º 66 A revista do INE

22 INEWS N.º 66 A revista do INE • 39,0% dos cuidadores empregados referiram ter obstáculos no seu trabalho que condicionam a conciliação deste com a vida familiar, o maior dos quais é o horário de trabalho longo (11,8%). Principal obstáculo à conciliação, por sexo (%) Duração das licenças parentais, por sexo (%) • 76,9% das pessoas dos 18 aos 54 anos que criaram, pelo menos, um filho interromperam a sua atividade profissional com recurso a uma licença parental. • 81,3% dos homens que tiraram uma licença parental estiveram ausentes ao trabalho durante um máximo acumulado de 2 meses; 91,5% das mulheres que tiraram licenças parentais interromperam a sua vida profissional durante um mínimo de 2 meses.

23 INEWS N.º 66 A revista do INE O principal objetivo consistiu em avaliar o impacto mútuo das responsabilidades profissionais e familiares, assim como conhecer as estratégias adotadas e os constrangimentos sentidos pelas pessoas nesse esforço de conciliação, focando quatro principais temáticas: • prestação de cuidados a crianças • prestação de cuidados a familiares dependentes (doentes, debilitados ou com deficiência) • flexibilidade da organização do trabalho • interrupções de carreira O módulo “Conciliação da vida profissional com a vida familiar” foi realizado em conjunto com o Inquérito ao Emprego ao longo do ano de 2025, segundo uma estratégia de subamostragem alinhada com o regulamento europeu para esta operação estatística. Reconhecendo a importância dos avós na prestação de cuidados infantis, mesmo quando ainda fazem parte da população ativa, a populaçãoalvo correspondeu aos indivíduos dos 18 aos 74 anos (7 825,7 mil pessoas), ainda que, nas questões relacionadas com a interrupção da carreira, o limite etário superior tenha sido restringido aos 54 anos, para minimizar efeitos de memória. Este tema já havia sido inquirido anteriormente (2005, 2010 e 2018), tendo sido recolhidos outros conjuntos de variáveis aplicados a diferentes grupos etários, não sendo aconselhada a sua comparação. Contudo, no âmbito do Regulamento Quadro para as Estatísticas Sociais, o conjunto atual de variáveis é um dos seis que serão recolhidos regularmente a cada oito anos de modo comparável, estando prevista a próxima edição em 2033. Consulte mais informação

24 INEWS N.º 66 A revista do INE Nas páginas desenvolvidas para cada uma das três dimensões, o utilizador pode consultar o valor do índice, a sua evolução temporal, a variação em relação ao período anterior e o posicionamento relativo de cada sub-região NUTS III no conjunto do país — com recurso a representações cartográficas e gráficos comparativos. O utilizador pode navegar pelos índices de Competitividade, Coesão, Qualidade Ambiental e Global de forma isolada, consultando mapas e gráficos dinâmicos. Pode ainda aceder a uma análise perspetiva integrada, que contém o posicionamento das sub-regiões NUTS III em todas as dimensões do ISDR, facilitando a identificação de perfis de desenvolvimento e assimetrias regionais. Por último, pode consultar a metainformação, na área dedicada à descrição metodológica do ISDR, e extrair os resultados e metainformação dos índices produzidos no âmbito do ISDR e dos 65 indicadores de base que o compõem. Nova ferramenta do Instituto Nacional de Estatística (INE) contribui para a análise das assimetrias e dos perfis de desenvolvimento regional em Portugal. Aplicação Interativa do Índice Sintético de Desenvolvimento Regional A mais recente Aplicação Interativa disponibilizada pelo INE oferece uma consulta mais ágil dos resultados dos anos 2021 a 2024 do Índice Sintético de Desenvolvimento Regional (ISDR). Foi concebida para simplificar a comparação entre as sub-regiões NUTS III, e encontra-se estruturada em torno das três dimensões que definem o modelo conceptual do desenvolvimento regional: Competitividade, Coesão e Qualidade Ambiental. Disponibilizam-se, também, resultados para o índice global, que sintetiza o desempenho conjunto destas três dimensões.

25 INEWS N.º 66 A revista do INE COM A APLICAÇÃO INTERATIVA DO ÍNDICE SINTÉTICO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL, O INE REFORÇA O COMPROMISSO COM A DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO ESTATÍSTICA CADA VEZ MAIS ACESSÍVEL, COMPARÁVEL E ORIENTADA PARA A ANÁLISE DO TERRITÓRIO, PROMOVENDO UM MELHOR CONHECIMENTO DAS DINÂMICAS DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL EM PORTUGAL.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: uma década de evolução globalmente positiva Publicação “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável | Agenda 2030 - Indicadores para Portugal 2015/2025” apresenta a evolução observada e uma avaliação da tendência e do desempenho de 189 indicadores face às metas estabelecidas. 26 INEWS N.º 66 A revista do INE

27 INEWS N.º 66 A revista do INE Está disponível a oitava edição da publicação nacional de acompanhamento estatístico da Agenda 2030 das Nações Unidas (ONU), intitulada Objetivos de Desenvolvimento Sustentável | Agenda 2030 - Indicadores para Portugal 2015/2025, na qual o Instituto Nacional de Estatística (INE) apresenta a evolução dos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), para Portugal, desde 2015 até ao ano mais recente com informação disponível. Em Portugal, o INE coordena o acompanhamento estatístico da Agenda 2030, cabendo-lhe liderar a monitorização nacional dos indicadores dos ODS. A compilação e a divulgação da informação estatística necessária ao acompanhamento da Agenda 2030 resultam do contributo de diversas entidades do Sistema Estatístico Nacional, bem como de outras entidades públicas que disponibilizam informação relevante nos respetivos domínios de atuação. Para além da descrição da evolução observada, a análise de cada objetivo inclui uma avaliação da tendência e do desempenho dos respetivos indicadores face às metas estabelecidas. Esta análise segue a metodologia de monitorização desenvolvida, testada e aplicada pelo Eurostat no acompanhamento dos ODS ao nível da União Europeia. Taxa de cobertura teve aumento significativo Relativamente aos 251 indicadores que integram a lista de indicadores globais da ONU, Portugal apresenta, em 2026, informação disponível para 189 indicadores, correspondendo a uma taxa de cobertura de 75,3%. Este resultado representa um aumento significativo face aos 52,0% apurados na publicação de 2020. Apesar desta evolução positiva, subsistem lacunas de informação em alguns objetivos. Os ODS 5 “Igualdade de Género” e 14 “Proteger a Vida Marinha”, continuam a apresentar níveis de cobertura inferiores a 60%, situando-se em 57% e 50%, respetivamente. Em contrapartida, os ODS 3 “Saúde de Qualidade”, 7 “Energias Renováveis e Acessíveis”, 8 “Trabalho Digno e Crescimento Económico”, 9 “Indústria, Inovação e Infraestruturas”, 11 “Cidades e Comunidades Sustentáveis”, e 15 “Proteger a Vida Terrestre” registam níveis de cobertura superiores a 80%. A EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DOS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL EM PORTUGAL ENTRE 2015 E 2025 FOI GLOBALMENTE POSITIVA, EMBORA COM DIFERENÇAS ASSINALÁVEIS ENTRE OBJETIVOS.

28 INEWS N.º 66 A revista do INE Em termos agregados, a maioria dos indicadores apresentou uma evolução favorável, traduzindo progressos significativos ou moderados em direção às metas estabelecidas. Destacam-se os ODS 6 “Água potável e saneamento”, 7 “Energias renováveis e acessíveis” e 9 “Indústria, inovação e infraestruturas”, nos quais mais de 70% dos respetivos indicadores globais apresentaram uma evolução favorável (75,0%, 80,0% e 72,7%, respetivamente). Estes resultados evidenciam um alinhamento consistente com os objetivos da Agenda 2030 em diversos domínios sociais, económicas e ambientais. Em contrapartida, uma proporção relevante de indicadores apresentou uma evolução desfavorável, sinalizando retrocessos ou progressos contrários face às metas definidas. Os ODS 4 “Educação de qualidade”, 5 “Igualdade de género”, 11 “Cidades e comunidades sustentáveis”, 15 “Proteger a vida terrestre” e 16 “Paz, justiça e instituições eficazes”, destacam-se por registarem menos de 50% dos respetivos indicadores com evolução favorável. Disponibilidade de indicadores ODS para Portugal, 2015-2025

29 INEWS N.º 66 A revista do INE Comparando a informação do ano mais recente com o primeiro ano disponível desde 2015, conclui-se que: • 105 dos 189 indicadores globais analisados registaram uma evolução positiva; • 23 indicadores globais atingiram a meta; • 38 apresentaram uma evolução desfavorável; • 10 não registaram alterações; • 36 não são passíveis de avaliação (séries irregulares ou curtas, inconclusivos). A partir da pontuação dos indicadores globais por ODS e da aplicação da metodologia do Eurostat, foi possível avaliar o desempenho dos 17 ODS e proceder ao seu posicionamento conjunto de acordo com a evolução observada no período 2015-2025. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi adotada pela Assembleia Geral da ONU em setembro de 2015 e integra 17 ODS e 169 metas, abrangendo dimensões sociais, económicas e ambientais, e mobilizando todos os países para a sua concretização. Com o objetivo de acompanhar a implementação da Agenda 2030 foi adotado, em março de 2017, um quadro global de monitorização atualmente constituído por 251 indicadores globais (234 únicos). Neste contexto, a comunidade estatística desempenha um papel fundamental na concretização do princípio de “não deixar ninguém para trás”, assegurando a monitorização do progresso das metas através da produção e disponibilização de dados e estatísticas acessíveis, fiáveis e desagregados. ISSN 2184-2264 Indicadores para Portugal 2015/2025 Consulte a publicação

30 INEWS N.º 66 A revista do INE Evolução dos indicadores globais ODS em Portugal no período 2015-2025

31 INEWS N.º 66 A revista do INE Posicionamento dos ODS em Portugal de acordo com a sua evolução no período 2015-2025

32 INEWS N.º 66 A revista do INE Roteiro Nacional para o Desenvolvimento Sustentável 2030 Foi publicada a versão final do Roteiro Nacional para o Desenvolvimento Sustentável, um documento estratégico orientador que visa acelerar a implementação da Agenda 2030 em Portugal e promover o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Este instrumento articula políticas públicas, através de seis transformações essenciais, e está alicerçado em três pilares de ação: integração da Agenda 2030 nas políticas públicas, melhoria da monitorização da Agenda 2030, e capacitação para a Agenda 2030. O roteiro foi elaborado por um grupo de trabalho coordenado pelo PLANAPP – Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas, contando com a participação ativa do Instituto Nacional de Estatística (INE), da Direção-Geral de Política Externa, do Instituto Nacional de Administração e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I. P., sob responsabilidade política da Secretaria de Estado da Presidência. Com o objetivo de acelerar a implementação da Agenda 2030 em Portugal, o novo instrumento estratégico conta com o contributo do INE na vertente de monitorização estatística.

33 INEWS N.º 66 A revista do INE O papel do INE assume particular relevância na dimensão de monitorização, materializando-se no Pilar 2 “Monitorizar melhor a Agenda 2030” do Plano, através de quatro áreas de intervenção principais: 1. Avaliação da mensurabilidade das “Metas para a Sustentabilidade”; 2. Mapeamento da informação estatística disponível; 3. Contributo para a definição do conjunto de “Indicadores para a Sustentabilidade”; e 4. Divulgação de dados e monitorização do progresso dos indicadores definidos. Consulte o Roteiro Nacional para o Desenvolvimento Sustentável 2030

O custo financeiro é o principal motivo para a não realização de renovações necessárias à melhoria da eficiência energética nos alojamentos Resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento 2025 sobre “Habitação, energia e ambiente”. 34 INEWS N.º 66 A revista do INE

35 INEWS N.º 66 A revista do INE O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) 2025 sobre “Habitação, energia e ambiente” revela que: • 15,6% da população vivia em agregados familiares sem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida; • 28,2% da população vivia em habitações não confortavelmente frescas durante o verão; • 32,1% da população vivia em alojamentos em que o teto deixava passar água ou existia humidade nas paredes ou apodrecimento das janelas ou soalho; • 3,6% vivia em agregados com atraso em algum dos pagamentos regulares relativos a despesas correntes da residência principal. Mais de metade dos agregados familiares residentes em alojamentos construídos antes de 1960 (53,2%) referiram não ter havido qualquer renovação visando mais eficiência energética, enquanto mais de um quinto das famílias residentes em alojamentos construídos após 2015 (21,6%) beneficiaram de pelo menos uma medida de renovação com vista à melhoria da eficiência energética. Ser dispendioso constitui o principal motivo apontado pelas famílias para a não realização das renovações necessárias à melhoria da eficiência energética nos alojamentos, em particular para as que vivem em risco de pobreza: 90,1%, o que compara com 77,9% para a população que vive acima do limiar de pobreza. Proporção dos agregados familiares por condição de pobreza segundo o motivo da não realização de renovações com vista à eficiência energética no alojamento, Portugal, 2025

36 INEWS N.º 66 A revista do INE As condições habitacionais, tanto físicas como financeiras, dos agregados familiares com crianças dependentes eram mais desfavoráveis do que para as restantes famílias: • 20,8% das famílias com crianças viviam em sobrelotação (5,7% quando não existem crianças); • A carga mediana das despesas com a habitação era de 13,8% para as famílias com crianças (9,9% para as famílias sem crianças); • 10,2% das famílias com crianças viviam em privação severa das condições de habitação (2,5% nas famílias sem crianças); • 7,5% das famílias com crianças viviam em sobrecarga das despesas com habitação (5,2% quando não existem crianças). Indicadores habitacionais por composição do agregado familiar e condição de pobreza, Portugal, 2025

37 INEWS N.º 66 A revista do INE Cerca de dois terços dos indivíduos manifestavam-se satisfeitos ou muito satisfeitos com os espaços públicos verdes existentes na zona de residência e apenas 10% se declaravam muito insatisfeitos. O grau de satisfação varia inversamente em relação à distância ao espaço público verde mais próximo. Os agregados familiares com crianças valorizam mais a proximidade a espaços verdes públicos: em 2025, 44,9% das famílias sem crianças residiam a menos de 400 metros de um espaço verde público, com a proporção a aumentar para 47,0% para as famílias com crianças. Mais de metade dos indivíduos de famílias compostas por dois adultos com três ou mais crianças residiam a menos de 400 metros de um espaço verde público. Proporção da população residente por distância a pé ao espaço verde público mais próximo segundo o grau de satisfação com os espaços verdes públicos na zona, Portugal, 2025

NO QUE RESPEITA AOS COMPORTAMENTOS DA POPULAÇÃO COM IMPACTO AMBIENTAL: • 72,7% DAS FAMÍLIAS INDICAVAM SEPARAR SEMPRE OU QUASE SEMPRE EMBALAGENS DE PLÁSTICO COMO GARRAFAS, GARRAFÕES OU OS FRASCOS DO LIXO DOMÉSTICO GERAL; • MAIS DE 90% DOS INDIVÍDUOS PERTENCEM A FAMÍLIAS CUJO AUTOMÓVEL DE USO PARTICULAR MAIS RECENTE É MOVIDO A GASÓLEO OU GASOLINA (56,4% A GASÓLEO E 35,3% A GASOLINA); • 25,6% DA POPULAÇÃO RELATAVA TER EFETUADO PELO MENOS UMA VIAGEM DE AVIÃO NA EUROPA NOS ÚLTIMOS 12 MESES, PARA FINS PARTICULARES OU PROFISSIONAIS; NAS DESLOCAÇÕES PARA FORA DA EUROPA, A PROPORÇÃO REDUZIA-SE PARA 9,3%; • 64,5% DA POPULAÇÃO MANTÉM O TELEMÓVEL NO AGREGADO FAMILIAR QUANDO ELE SE ESTRAGA. 38 INEWS N.º 66 A revista do INE

39 INEWS N.º 66 A revista do INE Em 2025, o ICOR foi dirigido a 22 104 famílias, das quais 16 612 com resposta completa (com recolha de dados sobre 39 158 pessoas; 34 360 com 16 e mais anos). O ICOR é realizado pelo Instituto Nacional de Estatística numa base harmonizada e regulamentada ao nível europeu, que viabiliza a comparação internacional dos resultados, com o objetivo de caracterizar a distribuição do rendimento e as condições de vida e exclusão social da população residente. Para além dum conjunto de dados recolhidos anualmente, a legislação em vigor estabelece a recolha periódica de sete módulos regulares e a realização a cada de dois anos de módulos ad hoc constituídos por matérias de especial interesse para os utilizadores num determinado momento, mas que não estão incluídas nos conjuntos regulares de dados. Em 2025, foi implementado o módulo ad hoc “Energia e ambiente”, que integra variáveis relativas à eficiência energética da habitação e aos comportamentos da população com impacto ambiental. Os agregados familiares são escolhidos por amostragem estratificada e bietápica a partir de uma base de amostragem de alojamentos familiares. A longitudinalidade da amostra, assim como a limitação da carga estatística sobre os respondentes, é assegurada através do estabelecimento de um esquema de rotação anual de quatro subamostras independentes, com substituição de uma delas em cada ano. Assim, cada agregado responde no máximo a quatro entrevistas, garantindo-se a sobreposição de ¾ dos respondentes relativamente ao ano anterior.

40 INEWS N.º 66 A revista do INE

Inovação 41 INEWS N.º 66 A revista do INE

42 INEWS N.º 66 A revista do INE Encontro centrou-se na utilização de inteligência artificial open source em ambiente local e decorreu em formato presencial, no Salão Nobre do INE, com possibilidade de participação em streaming. Projetos de inteligência artificial em destaque nos Encontros de Inovação Dando continuidade ao ciclo de debates sobre a modernização dos processos estatísticos e a adoção de novas abordagens no Instituto Nacional de Estatística (INE), a terceira edição dos Encontros de Inovação contou com Maria José Fernandes, do Departamento de Recolha e Gestão de Dados, que tem desenvolvido o seu trabalho nas áreas de web scraping, machine learning e, mais recentemente, em modelos de IA executados localmente. Foi apresentado um protótipo desenvolvido no INE para transcrição automática e segura de ficheiros áudio: o projeto utiliza duas tecnologias de inteligência artificial open source: o Whisper, modelo avançado de

43 INEWS N.º 66 A revista do INE dos conteúdos áudio é um processo demorado e pouco escalável, tendo o protótipo demonstrado que é possível reduzir significativamente esse tempo, com níveis de precisão promissores. Um dos aspetos mais relevantes do projeto é a opção por uma arquitetura On-Premise, garantindo que todo o processamento ocorre localmente, sem envio de dados para serviços externos, reforçando a confidencialidade, a segurança e a proteção da informação. Mais do que automatizar transcrições, esta iniciativa demonstra que é possível utilizar tecnologias avançadas de inteligência artificial dentro da infraestrutura do INE, apostando em soluções open source, reduzindo dependências externas e reforçando a autonomia tecnológica da organização. reconhecimento automático de fala, e o PyAnnote, framework especializada na identificação automática dos diferentes intervenientes numa conversa (“quem disse o quê”). A motivação para este trabalho surgiu de uma realidade presente no quotidiano institucional: o INE produz diariamente informação em formato áudio, nomeadamente entrevistas telefónicas com consentimento da gravação, reuniões, sessões de trabalho e interações no âmbito do atendimento a cidadãos e empresas. No entanto, ao contrário do texto, os dados áudio não são diretamente pesquisáveis, analisáveis ou facilmente integráveis noutros sistemas, tornando necessária a sua conversão em informação estruturada. Tradicionalmente, a transcrição manual

44 INEWS N.º 66 A revista do INE Partilha de experiências O período da tarde ficou marcado pela participação conjunta de vários elementos do INE na sessão promovida pela European Innovation Network, subordinada ao tema “Secure computing environment for innovation”. Assistido em grupo a partir do Salão Nobre, este alinhamento internacional trouxe para o debate exemplos práticos de como outros institutos de estatística gerem as restrições de segurança e proteção de dados ao treinar modelos de inteligência artificial. Esta partilha de experiências externas acabou por enriquecer o contexto do próprio INE, servindo de ponte ideal para a discussão técnica que se seguiu. O dia terminou com uma reunião de trabalho, que contou com a participação ativa do Departamento de Metodologias e Sistemas de Informação e do Departamento de Recolha e Gestão de Dados. O encontro técnico permitiu aprofundar o debate sobre o potencial de integração deste protótipo nos sistemas e fluxos de trabalho já existentes no INE. Terceira edição dos Encontros de Inovação

45 INEWS N.º 66 A revista do INE de dados administrativos, qualidade estatística, sistemas estatísticos, inteligência artificial, machine learning e outras aplicações da ciência dos dados. Publicada através da plataforma OJS e sujeita a avaliação científica por pares, a METRICS aceita tanto short working papers como artigos completos, assegurando elevados padrões de qualidade científica. A submissão e publicação são gratuitas, e todos os trabalhos são disponibilizados sob licença aberta, incentivando a circulação e reutilização do conhecimento. O primeiro trabalho publicado analisa os efeitos dos acidentes de trabalho nos rendimentos dos trabalhadores portugueses, recorrendo à integração de várias fontes de dados administrativos. Os resultados mostram que os acidentes têm impactos negativos persistentes nos rendimentos, sobretudo entre trabalhadores mais idosos e em situações de maior gravidade. COM A CRIAÇÃO DA METRICS, O INE REFORÇA O SEU COMPROMISSO COM A INVESTIGAÇÃO, A INOVAÇÃO METODOLÓGICA E A APROXIMAÇÃO ENTRE A ACADEMIA, OS PRODUTORES DE ESTATÍSTICAS E A SOCIEDADE, CONTRIBUINDO PARA UMA MELHOR COMPREENSÃO DA REALIDADE ECONÓMICA E SOCIAL E PARA UMA TOMADA DE DECISÃO MAIS INFORMADA. Methodologies, Statistics and Economics Working Paper Series A METRICS – Methodologies, Statistics and Economics Working Paper Series terá acesso aberto e vai abordar as áreas das estatísticas oficiais, ciência dos dados e economia. A iniciativa pretende criar um espaço de partilha de conhecimento entre investigadores, especialistas em dados e profissionais da área estatística, promovendo o debate e a disseminação de soluções inovadoras para os desafios atuais da produção e utilização de informação estatística. A série abrange um conjunto diversificado de temas, incluindo metodologias de inquéritos e amostragem, técnicas de estimação e inferência, integração INE lança série de working papers dedicada à investigação e inovação.

Sistema de Gestão Integrado INE assegura manutenção da ISO 9001 e alarga âmbito da certificação ISO/IEC 27001 46 INEWS N.º 66 A revista do INE

O Compromisso Renovado No atual ecossistema digital, a segurança da informação, a qualidade dos processos e a salvaguarda do segredo estatístico são fundamentos inalienáveis do compromisso do Instituto Nacional de Estatística (INE). É neste contexto de exigência contínua que o INE reforça a certificação do seu Sistema de Gestão Integrado (SGI), tendo culminado recentemente na conclusão com sucesso da auditoria de acompanhamento e extensão de âmbito realizada pela APCER, que garantiu a manutenção da certificação pela norma NP EN ISO 9001 (Gestão da Qualidade) e a manutenção e extensão do âmbito da norma NP EN ISO/IEC 27001 (Segurança da Informação). Garantir a qualidade, confidencialidade, integridade e disponibilidade das Estatísticas Oficiais através destes referenciais internacionais reforça a confiança dos cidadãos, empresas e comunidade científica na atividade do INE. PARA OS UTILIZADORES, ESTA EVOLUÇÃO REFORÇA A CONFIANÇA NA QUALIDADE, SEGURANÇA E CONFIDENCIALIDADE DAS ESTATÍSTICAS OFICIAIS, CONSOLIDANDO AS GARANTIAS DA INFORMAÇÃO QUE SUPORTA A DECISÃO PÚBLICA E A INVESTIGAÇÃO, DE ACORDO COM OS MAIS ELEVADOS PADRÕES INTERNACIONAIS. O SGI para consolidar a Confiança A evolução do Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI) no INE reflete um sólido padrão de consistência e orientação para a melhoria contínua. A certificação iniciou-se em 2019, focada no âmbito dos "Processos das estatísticas de comércio internacional – intra UE". Em 2022 o âmbito da certificação foi alargado aos "Processos das estatísticas de comércio internacional – intra e extra UE". Em 2024, o INE obteve a certificação pela norma NP EN ISO 9001 (Gestão da Qualidade), aplicável à “produção e divulgação das estatísticas oficiais do INE”. A integração do Sistema de Gestão da Segurança da Informação com o Sistema de Gestão da Qualidade deu origem ao Sistema de Gestão Integrado (SGI), combinando os referenciais da 47 INEWS N.º 66 A revista do INE

segurança da informação e da qualidade numa abordagem de gestão única e consistente. Mais recentemente, em 2025, o INE concluiu a transição para a nova versão da norma: a ISO 27001:2022 reforçando o alinhamento e a adoção dos mais recentes referenciais internacionais em matéria de segurança da informação. Em 2026, o âmbito da certificação foi novamente alargado, refletindo a maturidade crescente do sistema e a sua capacidade de responder a novos desafios organizacionais. O que Muda com a Extensão do Âmbito? A grande novidade desta última auditoria de acompanhamento foi a extensão do âmbito da certificação da Segurança de informação, que passou a incluir dois novos processos estratégicos para o INE: • Os "Inquéritos às Famílias": Garantindo que o ciclo de vida dos dados (recolha, processamento, análise e difusão) junto dos agregados familiares segue os mais estritos controlos de segurança. • A "Operação do Safe Centre na Sede (Lisboa)": Conforme destacado na edição anterior da INEWS, este espaço constitui um ecossistema crucial para a investigação científica. A inclusão do Safe Centre no perímetro da ISO 27001 reforça as garantias de segurança associadas ao acesso de investigadores credenciados a microdados, assegurando que esse acesso é feito num ambiente de computação isolado sujeito a rigorosos controlos de segurança concebidos para prevenir acessos não autorizados e salvaguardando integralmente o segredo estatístico. “A MANUTENÇÃO E EXTENSÃO DESTAS CERTIFICAÇÕES REFLETEM A MATURIDADE DO NOSSO SISTEMA DE GESTÃO E O COMPROMISSO CONTÍNUO DO INE COM A QUALIDADE E A SEGURANÇA DAS ESTATÍSTICAS OFICIAIS. ESTE RESULTADO REFORÇA A CONFIANÇA DOS UTILIZADORES E CONSOLIDA O NOSSO ALINHAMENTO COM OS MAIS EXIGENTES REFERENCIAIS INTERNACIONAIS”, DESTACA O RESPONSÁVEL DO SGSI DO INE. 48 INEWS N.º 66 A revista do INE

A Força da Cultura de Segurança Para o INE a certificação é muito mais do que um reconhecimento externo, é o reflexo direto do compromisso diário e contínuo de todos os seus trabalhadores com a qualidade, a segurança da informação e a salvaguarda do segredo estatístico. A manutenção deste padrão rigoroso assenta no fator humano e na cultura organizacional, sustentando-se na formação, na implementação de políticas Zero Trust e na prevenção e mitigação de ameaças, no alinhamento com referenciais internacionais e no cumprimento escrupuloso dos normativos internos e no controlo rigoroso de acessos e infraestruturas. Ao consolidar estas práticas, os profissionais do INE contribuem para que a instituição continue a merecer a confiança dos cidadãos, das empresas, dos investigadores e de todos os utilizadores das estatísticas oficiais. A confiança nas estatísticas oficiais assenta também na transparência. Conheça os principais referenciais e compromissos do INE nesta matéria: • Sistema de Gestão Integrado do INE - Certificação ISO 9001 e 27001 • Política de Segurança de Informação do INE • Política de Confidencialidade do INE • Política de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais • Política da Qualidade do INE • Carta da Qualidade Estes referenciais reforçam o compromisso do INE com a produção e difusão de estatísticas oficiais de elevada qualidade, seguras e confiáveis, assegurando a proteção da informação ao longo de todo o seu ciclo de vida. A transparência destes compromissos é fundamental para garantir a confiança dos cidadãos, das empresas e dos investigadores nas estatísticas oficiais, que constituem um bem público essencial. 49 INEWS N.º 66 A revista do INE

Um passo mais no bom caminho O Instituto Nacional de Estatística instala sistema de produção de energia solar para autoconsumo na sua sede 50 INEWS N.º 66 A revista do INE

Em maio entrou em funcionamento, na sede do Instituto Nacional de Estatística (INE), um sistema de produção de energia elétrica baseado em fonte renovável para autoconsumo, reforçando o compromisso do INE com a sustentabilidade e a eficiência energética. Este projeto é uma das medidas (MEE5b) previstas no Plano de Eficiência e Descarbonização (PED) 2025–2027 do INE, no âmbito do programa ECO.AP 2030 que contempla a instalação de sistemas de produção de energia renovável para autoconsumo, contribuindo para a redução do consumo de eletricidade proveniente da rede pública, em pelo menos 10%, face ao consumo em 2019, e para a diminuição da pegada carbónica. A iniciativa encontra-se também alinhada com o programa da Administração Pública para a eficiência energética e descarbonização, reforçando a transição energética do setor público. Face ao planeado, foi possível instalar um sistema de maior capacidade, com um custo inferior ao previsto. A redução dos custos de energia, à qual se somam as poupanças em taxas e impostos, poderá permitir uma recuperação mais rápida do investimento. 51 INEWS N.º 66 A revista do INE

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